Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Vazio Off-Bienal

No final de 2008, houve um movimento paralelo à Bienal de São Paulo, e via internet apenas, chamado "Vazio Off Bienal", em que era proposto um molde a ser recortado pelos participantes, e usado como princípio para a elaboração de um trabalho que fizesse esse paralelo com a chamada "Bienal do Vazio".

Nas palavras de seu idealizador - Tom Lisboa - "... assim como as Off Bienais procuram ampliar os discursos da "mostra visual" oficial, o Vazio Off Bienal quer construir e multiplicar novos espaços vazios (acesso ao molde vazio). Ao invés de tentar preenchê-lo com imagens ou ações, a idéia desta Off Bienal é mantê-lo intacto e, assim, intensificar e problematizar a discussão sobre visibilidade. Por isso, as fotos enviadas com os respectivos "vazios" não precisam ter como tema a Bienal de São Paulo. Afinal de contas, o vazio é um tema pessoal."
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Cada participante deveria enviar uma ou mais fotos via e-mail, e todos os trabalhos foram publicados no site: http://www.sintomnizado.com.br/vaziofotografias.htm
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Duas das integrantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea participaram deste projeto, tendo enviado as fotos abaixo.
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Carolina Paz - Caderno da artista vazio



Mila Thiele - Vazio e Sombra

Mila Thiele - Vazio Sutil

Mila Thiele - Vazio em branco


Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Interferências

Durante o mês de Novembro de 2008, foi proposta aos integrantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea uma experiência de intervenção/interferência em um desenho/trabalho de outra pessoa.

Foi encaminhado um desenho original (abaixo), sobre o qual os integrantes teriam a liberdade de desenhar, reproduzir, alterar a linguagem, fosse imprimindo e retrabalhando, fosse via programas de computação gráfica. A tarefa compreendia executar o trabalho e reenviá-lo por internet.

Na última reunião do Núcleo deste ano, no sábado dia 29 de novembro, os primeiros resultados foram apresentados e discutidos com o grupo.



Desenho original para intervenções


Algumas observações interessantes sobre o processo:
- Este desenho original (acima) não foi feito com inspiração nas pixações, ou latas de spray.
- É um desenho a grafite que data de 1993, de anotações feitas por Mila Thiele durante shows e peças de teatro; este especificamente é uma cantora do grupo vocal "Vésper", com um chocalho na mão.
- O que surpreendeu foi a leitura de quase todos como "pixação", e daí a interferência seguir em várias das intervenções por este caminho. Sim, novamente comprovado aqui, a arte acompanha e é reflexo da cultura de seu tempo.
- Todos os integrantes mostram o mesmo tipo de linguagem que usam em seus outros trabalhos, isto é, quem conhece o trabalho de cada um deles identificaria o autor mesmo que não fosse citado seu nome, o que é muito bom!






Intervenção de Carolina Paz

Carolina, com o objetivo de responder rapidamente o desafio, fez um auto-retrato na mesma posição da figura do desenho original, usando a câmera do computador para capturar esta imagem. Ela usou exclusivamente o Photoshop e procurou manter o mesmo repertório de cores, contrastes e camadas que usa em suas pinturas. Flickr da artista neste link: http://www.flickr.com/photos/carolpaz/. Blog: http://www.idilica.com.br




Intervenção de Daniel de Sousa
Daniel imprimiu o desenho original, e utilizando-se de colagens (que é uma linguagem recorrente em seus trabalhos), criou o "ambiente-muro" ao fundo; na figura, optou por colar pequenos "papelotes" recolhidos de orelhões e postes pela cidade. Para finalização da proposta, escaneou o trabalho.



Intervenção de Fernanda Fiamoncini
Fernanda também optou pela impressão do desenho original, e trabalhou sobre ele com carvão e grafite 6B, criando angulações que remetem à cidade, ao urbano - leu a figura como um "pixador". Escaneou o resultado para o envio.



Intervenção de Luiz Lentini
Lentini trabalhou diretamente no computador, segundo ele bastante livre de expectativas com o resultado; ilustrador profissional que é, sempre tem muitos "objetivos específicos" a serem atingidos, clientes a serem satisfeitos. E neste trabalho, sentiu-se mais livre para dar vazão ao "acaso criativo".



Intervenção de Lia Penteado
Lia trabalhou a imagem no Photoshop. Usou uma renda escaneada e empregou recursos do software. Procurou o "feminino" da imagem primeira.


Intervenção de Mônica Mundell
Monica imprimiu o desenho original, e trabalhou com nanquim, recortes e colagens para chegar a este resultado. O diferencial foi ter "fugido" ao formato original, expandindo o espaço e reformulando a relação figura/fundo.


Intervenção de Paulo Santoro

video

Paulo Santoro criou um vídeo com som, numa narrativa remetendo também à pixação / contravenção / repressão. Trabalhou digitalmente, e mateve durante todo o processo o traçado do desenho original, acrescentando elementos, e desarticulando os traços.

ESTE É UM PROJETO A SER CONTINUADO.

Agora, com os trabalhos publicados, abre-se um leque de possibilidades:

- pode-se interferir novamente no desenho original,

- pode-se interferir sobre outra interferência,

- artistas ou interessados, mesmo não participantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea podem enviar também seus trabalhos, sempre com base em um dos já publicados.

Observações importantes:

1. Todas as imagens aqui publicadas são passíveis de serem salvas para serem trabalhadas.

2. Por não ser possível que imagens sejam inseridas neste blog diretamente por outros, façam suas interferências e encaminhem para o seguinte e-mail: milathiele@gmail.com., com nome completo e citando o trabalho sobre o qual fez sua intervenção.

3. As imagens enviadas serão publicadas neste blog, e passarão a ser passíveis de novas interferências.

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

E começa a performance

Começou nesta 3a. feira, dia 04 de novembro, a performance de Maurício Ianês - "A Bondade de Estranhos", na 28a. Bienal de SP.

O artista se propõe a viver no pavilhão da Bienal até domingo, dia 16; passará duas semanas vagando nu e sem comida, sustentado apenas por doações que receber do público. Não irá se comunicar com ninguém.
Em julho de 2007, na galeria Vermelho, em São Paulo, o artista ficou deitado no chão nu, coberto de purpurina por duas horas, na performance "Zona Morta". Em abril de 2006, também na galeria Vermelho, apresentou a performance "Mensageiro" (atravessava uma trave de madeira de olhos vendados, com uma carta em branco na boca).

Com a instalação, ele pretende questionar a comunicação entre artista e público. http://diversao.uol.com.br/arte/bienal/2008/artistas/mauricio-ianes/


"Meu pensamento tem a ver com os vazios da palavra, com a não-comunicação"...
"É que só a presença é mesmo capaz de encher o espaço", conclui Ianês. "É um ser humano que está se expondo para outro, o que gera um calor imenso."
Talvez por isso a performance de Ianês seja das mais pertinentes --e arriscadas-- diante da proposta dos curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen para esta Bienal, a idéia de que é preciso reacender o vínculo do público com uma obra de arte, implícita no título oficial da mostra, "Em Vivo Contato".

Fonte: Folha OnLine http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u463771.shtml


É o trabalho que mais depende do público pra acontecer, ou ele é o que é, independente da reação?
Chegará ao ponto de ser um "marionete" manipulável pela ação do público, vestirá tudo e qualquer coisa que seja levada a ele? (seria interessante...)
E se ninguém levasse nada, se houvesse de fato a "não-comunicação" citada por Ianês?
É o trabalho que literalmente faz mais jus ao título dessa Bienal - "Em vivo contato"?

Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

28a. Bienal - ataque ao vazio?

Postagem de Fernanda Fiamoncini.

Atacaram, ou preencheram o vazio??

Transcrição de notícias (veja links abaixo):

SÃO PAULO – No primeiro dia da 28ª Bienal de São Paulo, um grupo de cerca de 40 pichadores invadiu na noite de ontem o pavilhão no Parque do Ibirapuera e pichou parte de seu segundo andar - propositalmente vazio nesta edição. Eles picharam as paredes com as frases: "Isso que é arte", "Abaixa a ditadura", "Fora Serra" (sic).
Os invasores também assinaram nas paredes nomes dos grupos envolvidos, como “Susto”, “4” e “Secretos”. Dos cerca de 40 pichadores, apenas uma jovem de 23 anos foi detida. Ela foi levada para o 36º DP, na Rua Tutóia. Houve tumulto no prédio.
A ação já estava prevista pela curadoria e organização do evento, que disseram anteriormente terem tomado providências para que a pichação não ocorresse no prédio. “Entramos pela porta. Normal. Conseguimos”, disse a menina detida que não quis se identificar. “É o protesto da arte secreta.”Segundo ela, vários grupos estavam envolvidos na invasão, uma continuidade das ações de protestos que ocorreram neste ano na Faculdade de Belas Artes e na Galeria Choque Cultural, lideradas por Rafael Guedes Augustaitiz, o PixoBomb.

Os demais pichadores saíram no meio do tumulto se misturando aos outros visitantes da mostra e quebrando vidros do prédio. Até que a Polícia Militar chegasse, os visitantes tiveram de permanecer dentro do prédio e ninguém pôde entrar.A Bienal lamentou e repudiou o ato de vandalismo e ainda não se sabe se o piso será pintado ou não. Apesar do incidente, o dia foi de intensa movimentação, com exposição aberta desde às 10 horas. À noite, foi realizado o show da banda Fischerspooner, com meia hora de atraso por conta do incidente.
As informações são do Jornal da Tarde. In: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/10/27/grupo_de_pichadores_ataca_predio_da_bienal_de_sp_2079656.html
e http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2008/10/27/ult4469u32403.jhtm

Abraços
Fernanda

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Falando de Duchamp

Obras de Marcel Duchamp estão em exposição no MAM, até setembro.
Mostra "obrigatória", mas mais que "ver" Duchamp, é uma oportunidade de pensar - o que foi, o que representou, e as decorrências de seu pensamento.

Alguns textos extraídos de publicações, para iniciar uma pontuação de Duchamp:

"A partir do urinol, inaugura-se a discussão acerca da institucionalização da arte: o que pode ser exposto como obra? Sua incômoda vibração faz-se ouvir na repetida pergunta dos teóricos do pós-modernismo: é possível pintar após Duchamp, fazer arte ainda faz sentido?

O ato de escolher objetos industrializados, extraídos do anonimato de seu uso cotidiano, inserindo-os no espaço que consagra o que é arte, teve uma presença embrionária na experiência cubista. Mas o objetivo ainda estava restrito ao âmbito interno da obra. Tratava-se, no cubismo, de romper com a perspectiva ilusionista da representação. Com a contribuição de Duchamp, a fruição retiniana transforma-se ora em operação mental, ora em exercício voyeurista. Não é impossível, contudo, esboçar uma análise formal do universo duchampiano. O urinol, a roda de bicileta, o jogo de xadrez, a transparência do vidro, a noiva e a máquina são emblemas já tão canonizados que proíbem qualquer manipulação ingênua. Mas cabe ponderar que nem todo objeto converte-se em readymade. A busca do neutro implica a rigorosa escolha de algo desinvestido de emoção. Ora, o fenômeno mais corrente atualmente é justamente o oposto: um excesso de páthos estetiza a maioria dos objetos expostos.

Atribuir o estatuto da autoria é um traço duchampiano que se tornou refém de sua própria transgressão: estender a possibilidade da arte afrouxou os critérios de institucionalização. O fenômeno sofre de uma asfixia às avessas, espécie de agorafobia pela não discriminação da função estética: todo objeto, colocado no contexto da arte, ganha o reconhecimento da instituição pela preeminência da vontade de seu autor. Décadas após o advento do readymade, como fazer uma crítica à instituição se esta admite qualquer manifestação? "

texto Lisette Lagnado in "Por que Duchamp?" - Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros - p.102 - São Paulo: Itaú Cultural: Paço das Artes, 1999.

(Nota: Páthos = palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento)


Veja fotos e postagem sobre a visita à exposição de Duchamp no MAM acessando: http://abravilamariana.blogspot.com/2008/08/marcel-duchamp-no-mam-visita-monitorada.html



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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Início

Estamos abrindo hoje o novo blog do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea.

Dentre as iniciativas da ABRA de promover o amadurecimento intelectual dos seus alunos de artes plásticas está a criação de um grupo de estudos – espaço reservado para a reflexão e debate da produção dos mesmos – sob a forma de encontros mensais, com a participação dos próprios alunos e professores.


Aqui serão inseridos textos, trabalhos dos integrantes, e em datas anteriores, um histórico das produções do Núcleo.

Sinta-se à vontade para comentar!




Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Exposição "Casa Tomada"

"Casa Tomada"

A Mostra "Casa Tomada" aconteceu entre os dias 30 de novembro de 2007 e 31 de janeiro de 2008.

"Casa tomada" assinala aqui o ato ou efeito de tomar para si; apoderar-se integralmente ou de partes o espaço da "ABRA Vila Mariana" para propor que esse recinto seja matéria integrante do trabalho desses artistas do Núcleo de Arte Contemporânea. A exposição não está fechada na sua Galeria principal; a Casa se abre como espaço de re-significação.

O desenvolvimento da poética de cada artista soma-se: a pesquisa, ao espaço, quem o circunda - para suscitar novas descobertas involuntárias que integram e compreendem o contínuo devir.

Reafirmado sua proposta de discutir, orientar e fomentar a produção artística "Casa Tomada" apresenta sites specifics, instalações, sound art, pintura, fotografia entre outras, produzidas especialmente pelos artistas: Beth Barone e Clarice Sanvicente, Rita Heckert, Ana Rey, Carolina Paz, Mônica Mondell, Paulo Santoro, Daniel de Souza, Flora Takenaka e Sérgio Pinto(artista convidado).
Texto de Luciana Nemes












Obra de Beth Barone e Clarice Sanvicente.



Abaixo, obra de Beth Barone e Sérgio Pinto, vista de dois ângulos.














Abaixo, obras de Paulo Santoro; à esquerda "Aquarelas Sonoras" e à direita, escultura.









Trabalhos de Carolina Paz; à esquerda "lambe-lambe" e à direita, pintura.













Obras de Daniel de Souza (esq.) e Flora Takenaka (à dir.).









Trabalho de Rubens Pontes, e à direita, interação de convidados com o trabalho.










Abaixo obra de Monica Mondell. À direita, em primeiro plano, pintura de Carolina Paz.
























Abaixo "carimbos", obra de Flora Takenaka.















Abaixo trabalhos de Ana Rey (à esq. parte de fotografias, e à dir. pintura).














Convidados no dia da abertura da mostra. À direita, ao fundo, obra de Carolina Paz.





















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