sábado, 24 de outubro de 2009

Beco da Arte

No dia 24 de outubro, como mensalmente faz, o Núcleo ABRA de Arte Contemporânea reuniu-se para mais um encontro.

Só que este foi um pouco diferente do que normalmente é feito. Ao invés de fazermos a análise e discussão das obras produzidas no período, fomos visitar o Beco da Arte, onde dois dos integrantes estavam concorrendo em votação pública à ocupação do espaço.

Carol Paz e Daniel de Souza concorreram à mesma "parede" no Beco da Arte. Acima, as fotos dos trabalhos. (acima Carol, abaixo Daniel)



Com as "cédulas" na mão, os integrantes do Núcleo escolheram trabalhos entre os expostos, para ocuparem as paredes ou o espaço (instalações).


Alguns vídeos também estavam entre os candidatos à votação.











Daniel de Souza teve seu trabalho escolhido nesta etapa!

Parabenizamos Daniel por mais esta conquista, certo de poder continuar acompanhando de perto o seu desenvolvimento artístico.

Fotos: Mila Thiele

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Levando a pintura a sério

Neste mês tivemos a alegria de ver nossa ex-aluna - Carolina Paz - publicando uma de suas pinturas na Zupi #14.

A Zupi é uma revista que busca reunir as variadas formas de expressão em design, voltada para artistas, designers, diretores de arte, etc. Iniciou em 2002 e tem alcançado grande respeito no meio.

Carol Paz, como Carolina assina, fez o curso de Artes Plásticas - Pintura na ABRA-Vila Mariana por 2 anos.
Durante este período foi convidada a fazer parte do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea, grupo que ela frequenta ainda hoje. Carol tem se dedicado ao "ofício" da pintura em seu atelier em Campos de Jordão, mantendo comunicação constante com a coordenação do Núcleo.

Carol deu uma entrevista à Zupi, que pode ser lida clicando neste link.

Seus trabalhos também podem ser vistos em seu flickr, inclusive os mais recentes, que farão parte de sua primeira individual que se realizará na ABRA-Vila Mariana em novembro deste ano.

Parabenizamos Carol por mais esta conquista, orgulhosos de poder acompanhar e participar de seu crescimento e amadurecimento como artista.

Nota sobre o Núcleo: Com a finalidade de proporcionar aos alunos de Desenho de Atelier e Pintura uma formação mais completa e uma vivência maior sobre os rumos da arte atual, a ABRA mantém, desde 2002, o Núcleo ABRA de Arte Contemporânea. Nele os alunos com maior comprometimento e preparo são convidados a participar de grupos de discussão com coordenadores e artistas experientes, recebem orientações a respeito de seu processo criativo e apresentam suas produções em exposições internas e externas.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Vazio Off-Bienal

No final de 2008, houve um movimento paralelo à Bienal de São Paulo, e via internet apenas, chamado "Vazio Off Bienal", em que era proposto um molde a ser recortado pelos participantes, e usado como princípio para a elaboração de um trabalho que fizesse esse paralelo com a chamada "Bienal do Vazio".

Nas palavras de seu idealizador - Tom Lisboa - "... assim como as Off Bienais procuram ampliar os discursos da "mostra visual" oficial, o Vazio Off Bienal quer construir e multiplicar novos espaços vazios (acesso ao molde vazio). Ao invés de tentar preenchê-lo com imagens ou ações, a idéia desta Off Bienal é mantê-lo intacto e, assim, intensificar e problematizar a discussão sobre visibilidade. Por isso, as fotos enviadas com os respectivos "vazios" não precisam ter como tema a Bienal de São Paulo. Afinal de contas, o vazio é um tema pessoal."
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Cada participante deveria enviar uma ou mais fotos via e-mail, e todos os trabalhos foram publicados no site: http://www.sintomnizado.com.br/vaziofotografias.htm
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Duas das integrantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea participaram deste projeto, tendo enviado as fotos abaixo.
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Carolina Paz - Caderno da artista vazio



Mila Thiele - Vazio e Sombra

Mila Thiele - Vazio Sutil

Mila Thiele - Vazio em branco


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Interferências

Durante o mês de Novembro de 2008, foi proposta aos integrantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea uma experiência de intervenção/interferência em um desenho/trabalho de outra pessoa.

Foi encaminhado um desenho original (abaixo), sobre o qual os integrantes teriam a liberdade de desenhar, reproduzir, alterar a linguagem, fosse imprimindo e retrabalhando, fosse via programas de computação gráfica. A tarefa compreendia executar o trabalho e reenviá-lo por internet.

Na última reunião do Núcleo deste ano, no sábado dia 29 de novembro, os primeiros resultados foram apresentados e discutidos com o grupo.



Desenho original para intervenções


Algumas observações interessantes sobre o processo:
- Este desenho original (acima) não foi feito com inspiração nas pixações, ou latas de spray.
- É um desenho a grafite que data de 1993, de anotações feitas por Mila Thiele durante shows e peças de teatro; este especificamente é uma cantora do grupo vocal "Vésper", com um chocalho na mão.
- O que surpreendeu foi a leitura de quase todos como "pixação", e daí a interferência seguir em várias das intervenções por este caminho. Sim, novamente comprovado aqui, a arte acompanha e é reflexo da cultura de seu tempo.
- Todos os integrantes mostram o mesmo tipo de linguagem que usam em seus outros trabalhos, isto é, quem conhece o trabalho de cada um deles identificaria o autor mesmo que não fosse citado seu nome, o que é muito bom!






Intervenção de Carolina Paz

Carolina, com o objetivo de responder rapidamente o desafio, fez um auto-retrato na mesma posição da figura do desenho original, usando a câmera do computador para capturar esta imagem. Ela usou exclusivamente o Photoshop e procurou manter o mesmo repertório de cores, contrastes e camadas que usa em suas pinturas. Flickr da artista neste link: http://www.flickr.com/photos/carolpaz/. Blog: http://www.idilica.com.br




Intervenção de Daniel de Sousa
Daniel imprimiu o desenho original, e utilizando-se de colagens (que é uma linguagem recorrente em seus trabalhos), criou o "ambiente-muro" ao fundo; na figura, optou por colar pequenos "papelotes" recolhidos de orelhões e postes pela cidade. Para finalização da proposta, escaneou o trabalho.



Intervenção de Fernanda Fiamoncini
Fernanda também optou pela impressão do desenho original, e trabalhou sobre ele com carvão e grafite 6B, criando angulações que remetem à cidade, ao urbano - leu a figura como um "pixador". Escaneou o resultado para o envio.



Intervenção de Luiz Lentini
Lentini trabalhou diretamente no computador, segundo ele bastante livre de expectativas com o resultado; ilustrador profissional que é, sempre tem muitos "objetivos específicos" a serem atingidos, clientes a serem satisfeitos. E neste trabalho, sentiu-se mais livre para dar vazão ao "acaso criativo".



Intervenção de Lia Penteado
Lia trabalhou a imagem no Photoshop. Usou uma renda escaneada e empregou recursos do software. Procurou o "feminino" da imagem primeira.


Intervenção de Mônica Mundell
Monica imprimiu o desenho original, e trabalhou com nanquim, recortes e colagens para chegar a este resultado. O diferencial foi ter "fugido" ao formato original, expandindo o espaço e reformulando a relação figura/fundo.


Intervenção de Paulo Santoro

video

Paulo Santoro criou um vídeo com som, numa narrativa remetendo também à pixação / contravenção / repressão. Trabalhou digitalmente, e mateve durante todo o processo o traçado do desenho original, acrescentando elementos, e desarticulando os traços.

ESTE É UM PROJETO A SER CONTINUADO.

Agora, com os trabalhos publicados, abre-se um leque de possibilidades:

- pode-se interferir novamente no desenho original,

- pode-se interferir sobre outra interferência,

- artistas ou interessados, mesmo não participantes do Núcleo ABRA de Arte Contemporânea podem enviar também seus trabalhos, sempre com base em um dos já publicados.

Observações importantes:

1. Todas as imagens aqui publicadas são passíveis de serem salvas para serem trabalhadas.

2. Por não ser possível que imagens sejam inseridas neste blog diretamente por outros, façam suas interferências e encaminhem para o seguinte e-mail: milathiele@gmail.com., com nome completo e citando o trabalho sobre o qual fez sua intervenção.

3. As imagens enviadas serão publicadas neste blog, e passarão a ser passíveis de novas interferências.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E começa a performance

Começou nesta 3a. feira, dia 04 de novembro, a performance de Maurício Ianês - "A Bondade de Estranhos", na 28a. Bienal de SP.

O artista se propõe a viver no pavilhão da Bienal até domingo, dia 16; passará duas semanas vagando nu e sem comida, sustentado apenas por doações que receber do público. Não irá se comunicar com ninguém.
Em julho de 2007, na galeria Vermelho, em São Paulo, o artista ficou deitado no chão nu, coberto de purpurina por duas horas, na performance "Zona Morta". Em abril de 2006, também na galeria Vermelho, apresentou a performance "Mensageiro" (atravessava uma trave de madeira de olhos vendados, com uma carta em branco na boca).

Com a instalação, ele pretende questionar a comunicação entre artista e público. http://diversao.uol.com.br/arte/bienal/2008/artistas/mauricio-ianes/


"Meu pensamento tem a ver com os vazios da palavra, com a não-comunicação"...
"É que só a presença é mesmo capaz de encher o espaço", conclui Ianês. "É um ser humano que está se expondo para outro, o que gera um calor imenso."
Talvez por isso a performance de Ianês seja das mais pertinentes --e arriscadas-- diante da proposta dos curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen para esta Bienal, a idéia de que é preciso reacender o vínculo do público com uma obra de arte, implícita no título oficial da mostra, "Em Vivo Contato".

Fonte: Folha OnLine http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u463771.shtml


É o trabalho que mais depende do público pra acontecer, ou ele é o que é, independente da reação?
Chegará ao ponto de ser um "marionete" manipulável pela ação do público, vestirá tudo e qualquer coisa que seja levada a ele? (seria interessante...)
E se ninguém levasse nada, se houvesse de fato a "não-comunicação" citada por Ianês?
É o trabalho que literalmente faz mais jus ao título dessa Bienal - "Em vivo contato"?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

28a. Bienal - ataque ao vazio?

Postagem de Fernanda Fiamoncini.

Atacaram, ou preencheram o vazio??

Transcrição de notícias (veja links abaixo):

SÃO PAULO – No primeiro dia da 28ª Bienal de São Paulo, um grupo de cerca de 40 pichadores invadiu na noite de ontem o pavilhão no Parque do Ibirapuera e pichou parte de seu segundo andar - propositalmente vazio nesta edição. Eles picharam as paredes com as frases: "Isso que é arte", "Abaixa a ditadura", "Fora Serra" (sic).
Os invasores também assinaram nas paredes nomes dos grupos envolvidos, como “Susto”, “4” e “Secretos”. Dos cerca de 40 pichadores, apenas uma jovem de 23 anos foi detida. Ela foi levada para o 36º DP, na Rua Tutóia. Houve tumulto no prédio.
A ação já estava prevista pela curadoria e organização do evento, que disseram anteriormente terem tomado providências para que a pichação não ocorresse no prédio. “Entramos pela porta. Normal. Conseguimos”, disse a menina detida que não quis se identificar. “É o protesto da arte secreta.”Segundo ela, vários grupos estavam envolvidos na invasão, uma continuidade das ações de protestos que ocorreram neste ano na Faculdade de Belas Artes e na Galeria Choque Cultural, lideradas por Rafael Guedes Augustaitiz, o PixoBomb.

Os demais pichadores saíram no meio do tumulto se misturando aos outros visitantes da mostra e quebrando vidros do prédio. Até que a Polícia Militar chegasse, os visitantes tiveram de permanecer dentro do prédio e ninguém pôde entrar.A Bienal lamentou e repudiou o ato de vandalismo e ainda não se sabe se o piso será pintado ou não. Apesar do incidente, o dia foi de intensa movimentação, com exposição aberta desde às 10 horas. À noite, foi realizado o show da banda Fischerspooner, com meia hora de atraso por conta do incidente.
As informações são do Jornal da Tarde. In: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/10/27/grupo_de_pichadores_ataca_predio_da_bienal_de_sp_2079656.html
e http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2008/10/27/ult4469u32403.jhtm

Abraços
Fernanda

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Falando de Duchamp

Obras de Marcel Duchamp estão em exposição no MAM, até setembro.
Mostra "obrigatória", mas mais que "ver" Duchamp, é uma oportunidade de pensar - o que foi, o que representou, e as decorrências de seu pensamento.

Alguns textos extraídos de publicações, para iniciar uma pontuação de Duchamp:

"A partir do urinol, inaugura-se a discussão acerca da institucionalização da arte: o que pode ser exposto como obra? Sua incômoda vibração faz-se ouvir na repetida pergunta dos teóricos do pós-modernismo: é possível pintar após Duchamp, fazer arte ainda faz sentido?

O ato de escolher objetos industrializados, extraídos do anonimato de seu uso cotidiano, inserindo-os no espaço que consagra o que é arte, teve uma presença embrionária na experiência cubista. Mas o objetivo ainda estava restrito ao âmbito interno da obra. Tratava-se, no cubismo, de romper com a perspectiva ilusionista da representação. Com a contribuição de Duchamp, a fruição retiniana transforma-se ora em operação mental, ora em exercício voyeurista. Não é impossível, contudo, esboçar uma análise formal do universo duchampiano. O urinol, a roda de bicileta, o jogo de xadrez, a transparência do vidro, a noiva e a máquina são emblemas já tão canonizados que proíbem qualquer manipulação ingênua. Mas cabe ponderar que nem todo objeto converte-se em readymade. A busca do neutro implica a rigorosa escolha de algo desinvestido de emoção. Ora, o fenômeno mais corrente atualmente é justamente o oposto: um excesso de páthos estetiza a maioria dos objetos expostos.

Atribuir o estatuto da autoria é um traço duchampiano que se tornou refém de sua própria transgressão: estender a possibilidade da arte afrouxou os critérios de institucionalização. O fenômeno sofre de uma asfixia às avessas, espécie de agorafobia pela não discriminação da função estética: todo objeto, colocado no contexto da arte, ganha o reconhecimento da instituição pela preeminência da vontade de seu autor. Décadas após o advento do readymade, como fazer uma crítica à instituição se esta admite qualquer manifestação? "

texto Lisette Lagnado in "Por que Duchamp?" - Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros - p.102 - São Paulo: Itaú Cultural: Paço das Artes, 1999.

(Nota: Páthos = palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento)


Veja fotos e postagem sobre a visita à exposição de Duchamp no MAM acessando: http://abravilamariana.blogspot.com/2008/08/marcel-duchamp-no-mam-visita-monitorada.html



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